Algum tempo atrás li o livro "A Sombra do Vento" que tem uma temática muito interessante. No romance existe um lugar onde ficam os livros renegados, uma espécie de Cemitério dos livros esquecidos. Estantes e mais estantes com exemplares de brochuras dos mais variados gêneros que, por algum motivo - que dá maior suspense à trama - ficam trancafiados dentro de uma espécie de mausoléu literário. Ninguém, ou quase ninguém tem acesso a esse local a não ser...Bom, melhor parar por aqui. Não quero tirar o sabor da descoberta do leitor, esse prazer é único e individual. Enfim, toda essa introdução para falar de uma experiência pessoal: as vezes tenho essa estranha sensação de que livros que fizeram parte da minha vida, na infância ou adolescência, simplesmente sumiram das estantes das livrarias e bibliotecas. Mas não das livrarias e bibliotecas virtuais; nessas hoje em dia se encontra de tudo. Mas aquele gostinho especial - misto de curiosidade e mistério - de visitar livrarias e buscar um livro na estante, algo que interesse assim meio na hora e que dá vontade de folhear; seu autor preferido ou uma indicação de amigo relembrada na hora em que os olhos correm pelos volumes...Será isso coisa do passado? Nostalgias à parte, a verdade é que a facilidade e o conforto que a modernidade proporciona para muitos que podem acessar o mundo da própria casa é a mesma modernidade que tira o prazer do contato in loco com as coisas e as pessoas. Mas você pode estar pensando assim: "Ué, mas ela não está na frente do computador digitando esse texto?" Sim, estou mesmo. Tento percorrer a via real e a virtual sem comprometer a primeira. Mas confesso que o fascínio de se conectar a muitas pessoas e a uma infinidade de recursos em poucos clics do mouse é realmente muito tentador. Fico pensando em uma criança hoje, criada nesse ambiente de tantos apelos de consumo ter que escolher entre um soldadinho de chumbo e um vídeo-game de última geração...
A propósito: Recordação da Casa dos Mortos, de Dostoiewsky; Admirável Mundo Novo, de Aldoux Huxley e Os Degraus do Paraíso de Josué Montello. Estes são os livros a que me referi no início dessas linhas. Provavelmente foram emprestados e nunca devolvidos ou perderam-se em mudanças de bairros e Estados. Mas não se preocupem: quem se interessar por um destes exemplares basta clicar daí mesmo, colocar na cesta, pagar com cartão e receber em casa. Eu consegui o romance de Josué Montello em um sebo no Rio de Janeiro. Versão definitiva da Livraria Martins Editora, de 1969. Reli com medo das folhas se desintegrarem nas mãos e com lenço de papel na mesinha de cabeceira para me salvar nos momentos de crise alérgica causada por minha rinite crônica. Não faz mal. Resgatei-o do Templo dos livros esquecidos. Uma relíquia!!!
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