De uma apresentação na biblioteca da Universidade em um dia
qualquer do ano letivo até o Show de lançamento do seu CD no TAC passaram-se
alguns anos. E aquele estudante de
música que não podia ver uma revistinha de cifras sem sair analisando a harmonia de tudo –
efeito das aulas do grande professor
Sergio Freitas – amadureceu. Pude
acompanhar parte da trajetória musical
desse menino\homem durante meu tempo da
faculdade e também depois, quando
tivemos oportunidade de tocarmos juntos algumas vezes, oportunidades essas na
maioria criadas por ele mesmo. Porque já
conheci Leandrico assim, correndo atrás,
agitando, organizando eventos semanais na universidade (como era mesmo o nome
daquele no Hall de entrada?) Numa inquietação e curiosidade quase infantis, mas
próprias daqueles que trazem para si a responsabilidade pelas suas buscas e
procuras. E consequentes conquistas. Mas quer saber? não acho mesmo esse o seu
maior mérito. O que me chama atenção é
sua capacidade de fazer parceiras musicais várias, sem se deter em tribos
sonoras ou as chamadas “panelinhas” com
pessoas ou grupos. Uma vez ouvi o relato de um músico em tom de agradecimento pelo
fato de Leandro o ter ajudado a sair de certo ostracismo musical em que se
encontrava. Compartilhar. Além de verbo badalado nas redes sociais a atitude
generosa de dividir. E essa não é uma característica que se encontra facilmente nas pessoas, porque dividir dá trabalho. E também pode
tirar a sensação (falsa) de segurança
que a exclusividade ou detenção de saberes e fazeres traga uma possível garantia de sucesso. Mas ninguém faz nada, nada mesmo, sozinho. Com a participação de mais de 20
artistas no seu CD de estréia, Leandro parece estar bem certo disso. Grande humano,
Grande músico. Obrigada pela sua
competente contribuição ao Mar à Vista, amigo querido.
Só a título de curiosidade: outro dia, remexendo na minha
papelada da Udesc, achei uma dessas
revistas de cifras com o Frank Sinatra na capa. Lembrei que na época ela ficou perdida por algumas horas no prédio
da música quando acabei finalmente encontrando em cima do balcão da recepção. E lá estava “My Way” com aquelas marcações à lápis, características da análise harmônica: Tônicas, subdominantes,
dominantes, setas, colchetes, etc. Aí pensei:
“claro, Leandro passou por aqui...”

